segunda-feira, outubro 23, 2006

O filme do costume

Na visita dos azuis e brancos a Alvalade, mudam os protagonistas, mas o filme é sempre o mesmo. Desta vez os chamados “casos” não foram flagrantes. Logo, parecem não ter existido. Mas não foi bem assim.

O filme do jogo começa com o Sporting a entrar (claramente) melhor. “Parecia” até a única equipa a querer ganhar o jogo. No Porto, a entrada de Paulo Assunção para o lugar do lesionado Andersson denunciava a vontade de controlar as operações “cá atrás”. O ataque estava entregue a Quaresma, Postiga e Lisandro Lopez (têm a certeza que jogou?!). O resto estava lá para defender.

No Sporting, Liedson, Yannick, Nani e Moutinho (de longe, o melhor médio português da actualidade) faziam as despesas do ataque. Custódio cobria a retaguarda e Paredes ajudava a fechar mas tinha também preocupações ofensivas (como, de resto, atestam as duas grandes oportunidades de golo de que dispôs). Os laterais tinham ordens para subir e tentar os desequilíbrios.

Grandes diferenças na abordagem ao jogo, portanto.

O sempre bem penteado Pedro Proença estava lá para o que desse e viesse. E deu-se. Deu-se, por exemplo, o caso de Nani jogar a bola com a mão. Cartão amarelo bem mostrado, sem dúvida. Proença esqueceu-se foi de fazer o mesmo nas restantes quatro (4!) vezes que os jogadores tiveram a mesma atitude. Duas delas pelo mesmo jogador – Postiga. Não satisfeito com isso, à segunda falta de Nani, Proença fez questão de abordar o jovem jogador para, com a cara a um palmo da do jogador leonino, lhe gritar que acabasse com aquilo antes que terminasse o jogo na rua. Pressão pura e simples. Já o mesmo não aconteceu a meio da primeira parte quando Paulo Assunção ceifa as pernas de Yannick, numa falta claramente merecedora do 2º cartão amarelo. Uma questão de critério, portanto. Que se manteve, de resto, durante todo o jogo. Coisa a que já estamos habituados nas partidas com a equipa de Pinto da Costa. Tal como a atitude defensiva e a jogar no erro do adversário. Chamar a estes onze jogadores, a melhor equipa nacional é matéria suficiente para um processo por difamação.

No resto do encontro, assistimos à (contínua) manifestação das intenções das duas equipas: o Sporting a querer ganhar o jogo, atacando como podia (nem sempre bem, é certo) e o Porto a defender com unhas e dentes um pontinho precioso. Salvou-os a barra da baliza de Helton e um árbitro demasiado complacente com um estilo de jogo feito à base das faltas a meio campo, para acabar logo ali com as veleidades da equipa adversária.

O filme do costume, portanto. É pena que a bobina não esteja já gasta...