Algumas notas (objectivas) sobre a derrota de Portugal
Queria escrever umas linhas sobre o jogo de ontem, mas nem sei por onde começar. Foi tudo tão mau que nem me apetece ser cáustico. É certo que podia dizer coisas do género: “Tantos jogadores do Benfica na Selecção só podia dar nisto”. Mas não. Creio que isso foi apenas a ponta do iceberg. Claro que jogadores como Petit, Ricardo Rocha e Nuno Gomes, por exemplo, não mereciam a titularidade. Mas há mais. Não se compreende como Costinha e Nuno Valente fazem parte do onze de Portugal. O primeiro está claramente fora de forma, o segundo... bom, o segundo nunca me convenceu, confesso. E num jogo como este, onde a segurança defensiva era fundamental, creio que Caneira seria uma solução muito mais eficaz. Cristiano Ronaldo foi, desta vez, uma desilusão. Acontece aos melhores, pode dizer-se. É um facto. Mas quando os melhores são piores, convém que os outros se agigantem para equilibrar as coisas. E isso, ontem, não aconteceu.
Simão ainda não engatou. Fez uma segunda parte aceitável, com um passe para golo e tudo, mas tem obrigação de fazer (muito) melhor.
Deco foi uma sombra do mágico de Barcelona. Talvez por culpa própria, mas também porque os dois médios que suportavam as suas acções (Costinha e Petit) só estavam lá para destruir. Ou seja, o luso-brasileiro tinha que vir constantemente atrás “buscar jogo”.
É fácil perceber que Costinha e Petit não são compatíveis. Pelo menos não numa equipa que quer ganhar o jogo. A opção tem que passar por Costinha ou Petit com Maniche ou Tiago. Um destrói e o outro leva a bola para a frente, permitindo que Deco jogue mais junto do ponta de lança. Que ontem foi Nuno Gomes. Meus amigos, aqui vou esquecer as rivalidade que dão o mote a este blog (o NG até podia ser do Vizela...) O que foi aquilo? Não me venham dizer que marcou um golo e, por isso, não esteve mal! Pior só mesmo se falhasse aquela oportunidade. O homem parecia uma marioneta a quem cortaram os fios, caramba. Sempre a cair, a não resistir ao choque. Portugal ontem precisava de um homem lá na frente e calhou-lhe um menino a quem os outros não deixavam jogar à bola!
Uma última palavra para Nani e Scolari. O que este fez ao jovem jogador (ontem) da Selecção, não se faz. Este era claramente um jogo para Felipão entregar a titularidade a Nani. Ainda que não tenha sido titular, a perder por 2-0 ao intervalo, Scolari deveria ter apostado em Nani mais cedo. A fazê-lo entrar a 25 minutos do fim, “encurtou-lhe” o tempo de impor o seu futebol e, dessa forma, forçou-o a querer fazer mais em menos tempo. Num jovem jogador que, naturalmente, já estaria nervoso, este condicionalismo é perfeitamente dispensável. Felizmente que Nani é um jovem especial e soube estar à altura da responsabilidade. Pena que Ronaldo não tivesse aproveitado aquele passe “de morte” para reduzirmos a desvantagem ainda a tempo de procurarmos o empate. O que, a acontecer, seria completamente injusto, acrescente-se.

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